WEBFÓLIO - AVALIAÇÃO FORMATIVA
espaço de registro das atividades desenvolvidas na disciplina de Avaliação do programa de pós-graduação em Estudos Linguísticos da UFU.
domingo, 15 de dezembro de 2013
Avaliação Final
Esta jornada de estudos foi extremamente proveitosa, tanto pelos conhecimentos como, e especialmente, pelas amizades, companheirismo dos colegas e amabilidade da professora.
Avaliar, como aprendemos, se confunde com o próprio ato de ensinar e aprender e, por isso, na minha autoavaliação e avaliação de meus pares, é de que houve uma aprendizagem significativa das perspectivas avaliativas, da importância de se entender a avaliação como processo, de saber criar instrumentos que privilegiem a aprendizagem do aluno.
Minha percepção é de que todos nós estivemos engajados em discutir sobre a importância de se entender o que significa avaliar para poder implementar uma avaliação da aprendizagem mais justa em nossas salas de aula.
Cada colega com sua peculiaridade contribuiu para que nossa disciplina fosse mais rica e que as discussões tivessem um caráter heterogêneo, visto que cada um atua em níveis e sistemas de ensino diferenciados.
Os aspectos negativos da disciplina, se é que os tivemos, foram contornados pelas experiências trocadas. O que avalio como uma dificuldade, foi o tempo insuficiente para discussões mais aprofundadas de um número significativo de textos. Isso foi um fator limitador, mas que foi contornado pelas atividades propostas pela professora para que aprofundássemos as leituras no desenvolvimento de resenhas e especialmente com o diário reflexivo.
Espero que todos nós possamos ser os beija flores, como dizia nossa professora, que de pouquinho em pouquinho transforma a educação que aí está.
Agradeço a meus colegas e professora pela oportunidade de conhecer um pouco mais sobre essa atividade tão importante para a prática pedagógica que é a avaliação e conviver com pessoas tão queridas.
Obrigada a todos! Valeu!!!
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Resenha - Hadji
Resenha
HADJI, Charles. Avaliação desmistificada. Trad. Patrícia Ramos. Porto Alegre: Artmed, 2001.
Por Claudia A. Rodrigues Murta
Charles Hadji é especialista em avaliação, professor de grandes universidades francesas, importante nome na ceara da Avaliação, nesse livro, Avaliação desmistificada, indaga ainda no prefácio, se é possível passar da utopia à ação na atividade de avaliação. A avaliação que regule a aprendizagem, que almeje o progresso do aluno, que veja no erro uma fonte de informação para a análise tanto do professor quanto do próprio aluno para se chegar à aprendizagem. O autor reafirma que diante de pelo menos 30 anos de estudos em avaliação muitas pistas foram dadas para compreender o ato de avaliar para então agir, e diante disso propõe alguns materiais para a construção de um dispositivo de avaliação com intenção formativa de uma “aprendizagem assistida por avaliação” e diz que o papel do professor avaliador é:
1) Desencadear comportamentos a observar
2) Interpretar os comportamentos observados
3) Comunicar os resultados das análises
4) Remediar os erros e as dificuldades analisadas.
Para apresentar um tema tão debatido, Hadji divide sua obra em duas partes essenciais: compreender e agir. A primeira parte – Compreender – está dividida em 3 capítulos e diz respeito à compreensão da avaliação formativa como uma “utopia promissora”, buscando entender que avaliar não é medir, mas confrontar em um processo avaliativo para se responder pertinentemente à demanda de se continuar ou não a avaliar. A segunda parte – Agir – está dividida em 4 capítulos nos quais o autor apresenta a questão questões mais de ordem prática, ou de intervenção na práxis. Cada um doa capítulos ele intitula com o verbo agir e a ação necessita discutir e finaliza o texto com o título “Concluindo provisoriamente”.
Hadji inicia o capítulo 1 definindo avalição e ao mesmo tempo distinguindo algumas terminologias, como avaliação implícita, espontânea e instituída. A espontânea é aquela que não tem formulação, a instituída é aquela que tem uma instrumentalização específica e a implícita seria o grau de julgamento de avaliação. No mesmo capítulo, o autor elenca mais algumas terminologias referindo-se à avaliação de referência normativa e criteriada. Ele discute os termos esclarecendo que independente de qualquer tipo de avaliação ela repousa sobre uma norma, que ele define como sendo um modelo de comportamento valorizado por um grupo e um comportamento mais recorrente. Hadji afirma que a avaliação dita normativa aprecia um comportamento, situando-o em relação a um alvo. Mas, nesse ponto ele diz que mesmo a avaliação formativa é pautada em normas. Essa parte do texto é confusa e o autor não consegue transmitir com clareza o que são os dois termos. Em seguida, o autor estabelece mais alguns termos: avaliação prognóstica, formativa e cumulativa. Nesse item, ele discorre sobre os três termos dizendo que a prognóstica é a avaliação que precede a ação de formação, a formativa está no centro do processo e a cumulativa a que ocorre depois da ação. Mas o autor coloca que na verdade todas as avaliações apresentam em última análise aspectos cumulativos e prognósticos. Ainda nesse capítulo, o ele discorre sobre o significado da avaliação formativa e diz que o que torna a avaliação formativa é estar a serviço do processo de desenvolvimento daquele que aprende, que deve informar aos agentes desse processo, professor e aluno, o andamento do processo, as dificuldades e efeitos do trabalho pedagógico e ainda corrigir a ação, modificando metodologias e atitudes. Nesse ponto Hadji afirma que o reconhecimento da avaliação formativa está associado à variabilidade das práticas do professor e afirma, mas que ninguém pode estar certo de que está fazendo avaliação formativa, por isso ele a chama de possibilidade utópica e finaliza esse tópico dizendo que a constatação da avaliação formativa é a relação de ajuda que se estabelece entre professor e aluno. O próximo item do capítulo que finaliza o mesmo, diz respeito aos obstáculos à emergência de uma avaliação com intenção formativa (EVF, sigla em francês). Ele diz que existem representações inibidoras, que tornam-se concepções que impedem a construção de conceitos científicos, porque estão arraigadas na mente de administradores escolares, pais, professores e alunos, que acreditam que a avaliação é representada por notas. O professor que quer implementar uma EVF deve mudar essa mentalidade condicionada por fatores de ordem ideológica e social, buscando subsídios em um quadro teórico que dê conta da diversidade do fenômeno da aprendizagem e na interpretação dos dados obtidos na avaliação diagnostica de seus alunos, compreendendo o “funcionamento” do aluno e dos objetos de ensinar. Outro obstáculo citado por Hadji é a preguiça e o medo dos professores que não “ousam imaginar remediações”, cabe ao professor a iniciativa de transgredir a tradição e buscar alternativas avaliativas que estejam a serviço da aprendizagem dos alunos. Ele finaliza esse capítulo afirmando que a utopia promissora da avalição irá orientar o trabalho do professor no sentido de correlacionar atividade avaliativa e atividade pedagógica.
No capítulo 2 Hadji diz que avaliar não é medir, é confrontar em processo de negociação. Ele inicia o capítulo falando da aleatoriedade das notas atribuídas a alunos de determinados exames na França e conclui que a discrepância das notas obtidas pelos alunos se dava simplesmente ao acaso da atribuição de uma banca, como confiar em uma operação de medida baseada na subjetividade total de seus examinadores? Após esse ponto, ele fala da impossível reforma do instrumento avaliador, dado que a objetividade neutra é impossível quando se trata de um sujeito, no caso o professor, avaliar de forma imparcial seus alunos, visto que ele é atravessado pelas forças sociais e ideológicas que o move. Diz que é inútil tentar tornar a avaliação tão objetiva quanto uma medida. Nesse item ele indaga sobre o que se mede, tomando a avaliação como medida e afirma que é algo que é próprio do aluno-produtor e diante disso, não há como considerar a avaliação uma medida, visto que o avaliador não é um instrumento e o aluno não é um objeto. Nesse mesmo capítulo, Hadji afirma que a avaliação é um ato que se inscreve em um processo geral de comunicação/negociação, visto que o avaliador é um ator de uma comunicação social. Citando Weiss (1991) define avaliação como uma “interação, uma troca, uma negociação entre um avaliador e um avaliado sobre um objeto particular e em um ambiente social dado”, isso quer dizer que ela é socialmente condicionada. Falando de contexto, o autor abre outro tópico no capítulo que é que o desempenho do aluno depende do contexto. Hadji argumenta que o contexto social interfere no desempenho do aluno e que isso tem impacto em seu futuro escolar, muitas vezes não por falta de competência cognitiva ou aptidão, mas por desconhecimento da práxis social, da pragmática da avaliação. No item seguinte o autor diz que a percepção que o avaliador tem do desempenho do aluno é igualmente do contexto social, que influencia a correção dadas as condições sociais tanto do professor quanto do aluno. O próximo item do capítulo, o autor discorre sobre a avaliação escolar como tradutora de arranjos em uma dinâmica de negociação. Nesse item, Hadji adverte que professores e alunos têm que negociar e transgredir as regras do jogo, isso quer dizer, que essas regras devem ser bem explicitadas, comunicadas para que se estabeleça um contrato social entre os atores. Ainda nesse capítulo, o autor fala da avaliação como um ato de confronto entre uma situação real e expectativas referentes a essa situação e essas expectativas são de ordem institucional. A avaliação é uma operação de leitura da realidade e o avaliador aborda seu objeto como o leitor o texto e isso não é algo mensurável e, portanto, a avaliação como toda a leitura é orientada. Essa orientação deve ser estabelecida sobre critérios, de uma grade de expectativas específicas sobre o objeto do saber. Finalizando o capítulo, Hadji diz que a avaliação é uma leitura que implica construção de um modelo reduzido do objeto avaliado que será o referente da avaliação. Ele finaliza o capítulo com anunciando 3 percepções acerca da avaliação: 1) ela não é uma medida; 2) ela é um processo de comunicação/negociação; 3) é uma operação de confronto, de correlação, entre expectativas e uma realidade.
No capítulo 3 o autor faz um balanço das interrogações remanescentes e anuncia: deve-se abandonar toda pretensão à objetividade quantitativa? Ele diz que para se chegar ao ideal de uma avaliação formativa, 3 hipóteses foram levantadas: 1) avaliação é um ato sincrético essencialmente baseado na intuição do avaliador. E afirma que é preciso desvincular o que é escolar do que é social para se ter maior justiça e objetividade, pois a intuição do avaliador está permeada de valores sociais, o que pode determinar o sucesso ou fracasso do aluno. Um modelo de EVF deve apreciar o êxito da aprendizagem e não a conformidade a um modelo social dominante. 2) a avaliação é um ato que tem mais a função de explicar do que de descrever. Nesse tópico o autor discorre sobre a importância dos indicadores, mas alerta para não se esquecer dos critérios. A presença dos indicadores não garante a objetividade da avaliação, pois os mesmos também tem caráter ambíguo e deve ser interpretados, a eficácia está relacionada aos objetivos, que devem ser especificados inicialmente. 3) avaliar é fazer agir a descontinuidade dos valores, não a continuidade de cifras. Nesse ponto, Hadji diz que “avaliar significa dizer o valor, um aumento de valor, em nome de uma expectativa que só é legítima na medida em que ocorre sobre um aspecto do real que pode ser “lido” através de um valor”, é traduzir em um valor algo que ocorre na realidade. Um próximo tópico desse capítulo é se se deve recusar-se a julgar. O autor anuncia esse tópico em forma de pergunta e diz que a avaliação deve ser interpretação e não julgamento, e essa interpretação nada mais é do que construção de sentidos e para que haja essa interpretação um novo paradigma deve ser desenvolvido, o da informação e não o da decisão. A partir da informação, o aprendiz é capaz de autocorrigir-se por meio de modelos apropriados, de referências, desenvolvendo autonomia e operando ações metacognitivas sobre seus procedimentos e processos mentais de aprender. Tomando a educação como uma relação de ajuda, o professor não pode estar na posição de julgar seus alunos, sua posição será a de que auxilia com informações precisas, claras, para que seu aluno construa sua aprendizagem. Mas, ao definir esse posicionamento o autor disserta que paradoxalmente não há como avaliar sem julgar, pois avaliar não é só tomar informações, é decidir o que fazer com elas e essa tomada de decisão, mesmo que pela própria pessoa, é um julgamento. Ele adverte que isso é natural, o que não pode é o julgamento baseado em ideologias. E chama a atenção que o modelo preferível de avaliação é a em primeira pessoa, ou seja, a autoavaliação. Hadji finaliza o capítulo questionando se se deve continuar a avaliar e inicia o tópico fazendo uma série de questionamentos, que levam a conclusão de que a chave do sistema de avaliação é a autoavaliação. Para que ela seja uma realidade é preciso que sejam dados critérios claros, objetivos enunciados e meios para que o aluno tenha condição de analisar seu conhecimento, pois ele é a pessoa mais indicada para isso. A EVF é caracterizada, portanto, por sua preocupação constante de integração com a prática pedagógica que esteja a serviço da aprendizagem do aluno.
A segunda parte do livro – o agir – é um guia metodológico para tornar a avaliação mais formativa. Ele diz que graças a pesquisa, já se dispõe de um número de pistas para a ação. Ele categoriza as modalidades avaliativas de acordo com determinados elementos, a saber: 1) os objetivos da prática avaliativa; 2) as modalidades dessa prática; 3) as condições técnicas; 4) os deveres do trabalho do avaliador. De acordo com o autor no quesito 1: devemos privilegiar a auto-regulação; desvinculando o escolar do social; explicitar o que se espera construir e desenvolver através do ensino; mostrando o alvo para o aluno; deixando claros critérios de realização e de êxito para que ele esteja em condições de julgar sua situação; o professor seja capaz de remediar a situação a partir de diagnósticos elaborados; diversificar a prática pedagógica por meio da variabilidade didática. No 2: o professor não deve limitar sua criatividade e imaginação; falar correta e pertinentemente; privilegiando avaliações em segunda e primeira pessoa. No 3: relacionar de maneira coerente o exercício da avaliação ao objeto avaliado; explicitar os exercícios; especificar o sistema de expectativas e critérios; não se perder em um mar de observáveis; ampliar o campo de observações a fim de tornar a avaliação mais informativa. No 4: ter prudência; construir um contrato social; refletir e identificar o que julga poder esperar dos alunos; desconfiar do que parece evidente; dever de transparência; não se deixar levar por julgamentos sociais. Como fazer isso concretamente, ele se pergunta. Ele diz que não é tarefa fácil, mas que possível e fala de 4 requisitos básicos para tal: 1) objetivo esclarecido para os atores do processo de aprendizagem; 2) recusar a limitar-se a uma única prática e de formas estereotipadas; 3) tornar os dispositivos transparentes; 4) desconfiar de entusiasmos e abusos de poder. O capítulo 4 do livro Hadji denomina de agir desencadeado de maneira adequada. Ele começa dizendo que a primeira tarefa que se impõe ao professor é a escolha de exercícios que desenvolvam a aprendizagem. Para tanto, ele especifica algumas ações essenciais a fazer, a primeira delas é determinar as questões que devem ser respondidas por meio da avaliação. Nessa tarefa traduz os conteúdos em termos de objetivos de ensino. Determinar as decisões que podem ser tomadas depois da avaliação. Estabelecer os espaços de observação, visto que cada comportamento a observar exige em espaço de observação. Escolher os instrumentos de coleta de dados, determinar a situação-problema de acordo com os objetivos a serem atingidos. No próximo item do capitulo Hadji fala sobre a necessária articulação objeto-exercícios. Nesse item ele fala da necessidade de se criar problemas precisos que estejam em consonância com objetivos pedagógicos e que desencadeie comportamentos observáveis para que sejam avaliados. No item seguinte ele fala da tarefa como desencadeador privilegiado. A tarefa é uma forma de aprendizagem e avaliação ao mesmo tempo. Para se criar uma boa tarefa é preciso estabelece alguns pressupostos como: o alvo, que é o objetivo; os critérios de realização, as regras a respeitar; os critérios de êxito, o que é aceitável como produto; o critério de avaliação, a partir do que são avaliados; o critério de realização, operação fundamental para quem realiza a tarefa; as condições de realização, as condições determinantes de êxito. Ele adverte que a tarefa não pode transforma-se em um fim, ela deve ser um meio de se atingir os objetivos de aprendizagem e diz que ela deve ser significativa e ter uma relevância social, não só escolar, e estabelece 4 características: 1) pluralidade das habilidades requeridas; 2) autonomia na resposta, encontrando a melhor estratégia para estruturar a resposta; 3) multidimensionalidade, abarcar a maior gama possível de elementos; 4) variabilidade nos produtos. Tudo isso, levando-se em conta situações-problemas, que coloquem obstáculos, que levem o aluno a pensar em como resolver o problema, pode ser um meio de levá-lo a construir conhecimento.
No capítulo 5 Hadji fala do agir observando/interpretando de maneira pertinente. Nesse capítulo ele afirma que é preciso munir-se de observáveis e ao mesmo tempo ultrapassar o que não é observável para inferir a presença ou a ausência do objeto visado. O primeiro item do capítulo é intitulado a tensão observável/inobservável. Nesse item ele distingue dois tipos de análises, a de comportamento e a de conduta. A primeira centra-se nos observáveis, é factual e descritiva; a segunda baseada no que inobservável, as representações do sujeito. Hadji diz que o que pode facilitar a habilidade do professor em analisar esses comportamentos e condutas é explicitar cada vez mais os objetivos que constituem objetos de ensino e avaliação, sabendo que tal objeto nunca é totalmente observável e munir-se o máximo possível de instrumentos de análise de erros, sabendo que essa análise é um arranjo provisório, possível de racionalizar. O item seguinte é o problema da análise de erros. Hadji afirma que a avaliação formativa deveria possibilitar a compreensão da situação do aluno, de modo a imaginar ações corretivas eficazes e diz que isso é possível por meio da coleta de informações e de análise de resultados. É importante se criar uma grade que veja o erro como algo positivo e ficar atento que a natureza do erro pode estar ligada a problemas de ordem comunicacional. O desafio para o professor é passar da questão de quantos erros para que tipo de erros, essa condição possibilita um viés mais formativo, pois a partir da análise do tipo de erro pode-se remediar o problema. Outro ponto do capítulo diz respeito a como facilitar um procedimento de autoavaliação. Essa atividade envolve processos metacognitivos, pois diz respeito à tomada de consciência para a ação. Ela permite que o aluno reflita, analise e construa progressivamente um modelo que se tornará um referente adequado para fazer um exame crítico de sua produção. Para essa tomada de consciência é importante a adoção de instrumentos destinados à autovaliação, com a elaboração de uma grade de controle para se tornar um instrumento de regulação de uma ação e não simplesmente a apreciação de um produto.
No capítulo 6: agir, comunicando de modo útil, é o título dado por Hadji, fala da importância do contexto comunicacional para a avaliação. Nesse capítulo o autor dá atenção à questão da linguagem e diz que ela tem papel fundamental no processo de avaliação, e em todas as atividades humanas, logicamente. O professor deve dar atenção ao vocabulário empregado, a sintaxe do texto, ao estilo e a simbologia passada nas mensagens implícitas ou explicitas da avaliação. A fala avaliativa pode ser modalizada no sentido de que seja formativa para isso Hadji cita algumas considerações de Barlow que preconiza que: haja interpelação direta do aluno; exposição no passado dos resultados obtidos; análise desses resultados com os adjuntos adverbiais adaptados; especificação no condicional da conduta a seguir no futuro; encorajamentos no imperativo; emprego da primeira pessoa. Assim como: manifestar benevolência; dirigir-se à pessoa, mas avaliar o produto; tratar a produção como momento de aprendizagem; remeter à atividade do aluno; escolher uma formulação, um tom que não marginalize o erro, entre outras ações citadas. No próximo item do capítulo, Hadji fala da comunicação, deontologia, ética. Nesse ponto o autor relaciona a comunicação ao fazer profissional do professor e a condição ética do processo de ensino e aprendizagem e sintetiza dizendo que devemos ter cuidado para não cair no risco de abusar da posição hierarquicamente superior do professor, humilhando o avaliado, devemos tornar os dispositivos de avaliação transparentes, recusar a avaliar em um contexto de relação de forças e somente aceitar a exercer o poder de avaliador se ele contribuir para a autonomia do avaliado, possibilitando-lhe assumir o controle de sua aprendizagem.
No capítulo 7, a remediação como ato pedagógico, nessa sessão, Hadji fala da remediação que não é uma atividade de ordem avaliativa e sim pedagógica. Essa remediação deve estar fundamentada no feedback- julgamento – ajuste. A avaliação formativa deve ter uma finalidade de ajustar a aprendizagem, mas não retomando simplesmente o que já foi dado, de um retorno ao mesmo, mas como uma regulação proativa, que busca novas oportunidades de aprendizagem por meio de uma pedagogia diferenciada da do passado. O professor nesse sentido vai intervir modelando a aprendizagem, levando seu aluno a operar metacognitivamente para conseguir retomar ele mesmo o que ficou perdido, encontrando um caminho para uma melhor aprendizagem.
Hadji finaliza o livro com conclusões provisórias, tentando responder a algumas perguntas colocadas no início do texto, são elas:
1) O que é, finalmente, avaliar? É uma operação de leitura orientada da realidade, assim ele afirma.
2) Pode a avaliação ser objetiva? Ela inscreve-se em um contexto social por isso atravessada pela subjetividade, mas ela deve delimitar seu objeto e designá-lo no sentido de buscar um objetivo (pedagógico) – objeto (a avaliar) – observáveis (a determinar), para isso deve-se tentar neutralizar ao máximo os vieses sociais firmando um contrato social que prime por pertinência e justiça.
3) Avaliar é importante? Ela é um momento do processo geral de aprendizagem, momento forte da regulação dessa aprendizagem.
4) Qual é, em avaliação, a utilidade da pesquisa? É por meio da pesquisa que vai se conhecer melhor a essência da avaliação, o objeto de aprendizagem e as atividades de remediação.
5) A avaliação não deveria ser utilizada com precaução? Sim, trabalhando uma ética do agir avaliacional.
6) A avaliação poderá (enfim) tornar-se formativa? Superando os vários obstáculos que se apresentam com coragem de enfrentar a preguiça, o medo a inércia em um combate diário.
O autor finaliza o texto com um poema que sintetiza que o desejo pode ser o estopim para que o impossível aconteça. A leitura do texto é uma leitura um tanto quanto difícil, pois o autor estabelece sua linha de raciocínio por meio de paradoxos, portanto, o encaminhamento da leitura é contrariado na medida que o autor expõe o outro lado de seu pensamento. Mas, apesar da dificuldade aparente e da abundância de termos que o autor elenca para falar da promessa utópica da avaliação formativa, é uma leitura fundamental para a formação do professor, pois toca em aspectos práticos da operacionalização dessa modalidade avaliativa. A divisão do texto em duas parte, o compreender e o agir, é uma forma interessante de construir a discussão que desperta o interesse em continuar a leitura para um maior entendimento do processo de avaliar e de como proceder didática e pedagogicamente no encaminhamento da avaliação com intenção formativa.
domingo, 24 de novembro de 2013
Resenha - A avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.
LUCKESI, C. A avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 19. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
Por Claudia A. Rodrigues Murta
Nesta obra o estudioso da avaliação Cipriano Luckesi expõe primeiramente sua trajetória como investigador desse tema que é tão importante para a educação escolar. O autor define o que é realmente avaliação diferenciando-a do exame, e afirma que o que a escola brasileira vem aplicando continuamente não é avaliação. O livro é composto por vários artigos já publicados em eventos distribuídos ao longo da carreira do autor, o que torna a leitura do texto um pouco enfadonha, devido à repetição de temas e abordagem da avaliação de uma forma exaustivo. Apesar disso, é um texto que deve fazer parte da bibliografia de todo professor.
No primeiro capítulo, Luckesi nos chama a atenção para a pedagogia do exame, que é uma prática excludente que polariza a todos na escola e que se tornou uma espécie de “fetiche”, que muitas vezes satisfaz a um desejo de imposição de poder por parte do professor, e uma espécie de tortura para o aluno. Esse tipo de pedagogia tem consequências de ordem pedagógica, que não ajuda na aprendizagem do aluno; de ordem psicológica, que desenvolve personalidades submissas e de ordem sociológica, que promove a seletividade social. O autor contrapõe a pedagogia da avaliação educacional, que promove a humanização e que é voltada para a transformação do aluno e sua aprendizagem, à pedagogia do exame, que é uma prática autoritária. A avaliação é uma prática racionalmente pensada e definida e pressupõe uma decisão política em favor da participação democrática. O autor expõe os princípios da avaliação e afirma que o primeiro passo é o diagnóstico da situação do aluno, uma forma de o professor conhecer seu aluno, seu potencial e seus erros para então direcionar uma prática que promova a superação do erro. O estudioso propõe que esse erro seja uma fonte de virtude, sendo visto e compreendido de forma dinâmica, possibilitando uma nova conduta em relação ao padrão estabelecido e um caminho para o avanço.
Em outro ponto do texto, Luckesi coloca em questão a verificação em oposição à avaliação. E argumenta que a verificação sem a devida utilização dos resultados averiguados classifica os alunos pura e simplesmente em aprovados e reprovados, mas não diz muito sobre a aprendizagem dos mesmos. O autor observa que muitas vezes a média obtida pelos alunos nos testes mascaram uma realidade de deficiências de conhecimentos e habilidades por parte dos alunos, que o “papel” aceita facilmente, isto é, burocraticamente os alunos são aprovados sem saber determinados conteúdos que são essenciais para seu desenvolvimento. Nesse sentido, Luckesi afirma que a escola opera com verificação e não com avaliação da aprendizagem. E nesse capítulo o estudioso discorre sobre o uso da avaliação dizendo que ela é praticada com a atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos alunos, tendo por base seus “aspectos essenciais e como objetivo uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e consequentemente o desenvolvimento do educando” (p. 95). E argumenta que é preciso trabalhar com um padrão mínimo de conduta, ou seja, deve-se estabelecer um mínimo necessário de saber como padrão para analisar os conhecimentos e habilidades dos alunos. A prática da avaliação deve ser desenvolvida com rigor científico e técnico capaz de levar à construção de resultados significativos em prol do desenvolvimento dos alunos.
O autor discute em outra parte do texto sobre a natureza ideológica do planejamento, que ele deve guiar a prática educativa consciente e que planejamento e avaliação são aliados na construção de uma escola mais democrática e humana. Planejar significa vislumbrar objetivos a se atingir e desenvolver caminhos para tal e avaliar é uma forma crítica de analisar se estamos atingindo esses objetivos.
Por último, Luckesi propõe uma prática docente crítica e construtiva. Nesse ponto, o autor argumenta por uma prática docente interessada, proficiente e prazerosa. Concordo com o autor que o professor deve reunir esses atributos para o desenvolvimento de uma prática docente eficiente e que promova o desenvolvimento do educando, mas minha visão é de que Luckesi coloca nos ombros do professor o peso do mundo. O professor, assim como o aluno, também necessita de apoio para se desenvolver, precisa de condições dignas de trabalho para que tenha eficiência e prazer em sua prática, precisa de valorização social e reconhecimento da sociedade de que seu trabalho é digno e importante para o desenvolvimento do país, de que ele é um profissional e não alguém abnegado, um mártir que tem amor pelo ensino, por isso aceita as condições que lhe são impostas.
Acredito que o conhecimento pode ser um caminho para a melhoria do ensino e de práticas avaliativas mais humanas e justas, mas esse conhecimento passa por melhores condições de trabalho e de salário para que o professor possa ter tempo e dinheiro para se formar continuamente.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Seminário - Alvaréz Méndez
Nesse seminário discutimos os capítulos 1 e 2 - Grupo: Claudia, Olden e Marília. Demais capítulos foram apresentados pelas colegas.
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