domingo, 24 de novembro de 2013

Resenha - A avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.

LUCKESI, C. A avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 19. ed. São Paulo: Cortez, 2008. Por Claudia A. Rodrigues Murta Nesta obra o estudioso da avaliação Cipriano Luckesi expõe primeiramente sua trajetória como investigador desse tema que é tão importante para a educação escolar. O autor define o que é realmente avaliação diferenciando-a do exame, e afirma que o que a escola brasileira vem aplicando continuamente não é avaliação. O livro é composto por vários artigos já publicados em eventos distribuídos ao longo da carreira do autor, o que torna a leitura do texto um pouco enfadonha, devido à repetição de temas e abordagem da avaliação de uma forma exaustivo. Apesar disso, é um texto que deve fazer parte da bibliografia de todo professor. No primeiro capítulo, Luckesi nos chama a atenção para a pedagogia do exame, que é uma prática excludente que polariza a todos na escola e que se tornou uma espécie de “fetiche”, que muitas vezes satisfaz a um desejo de imposição de poder por parte do professor, e uma espécie de tortura para o aluno. Esse tipo de pedagogia tem consequências de ordem pedagógica, que não ajuda na aprendizagem do aluno; de ordem psicológica, que desenvolve personalidades submissas e de ordem sociológica, que promove a seletividade social. O autor contrapõe a pedagogia da avaliação educacional, que promove a humanização e que é voltada para a transformação do aluno e sua aprendizagem, à pedagogia do exame, que é uma prática autoritária. A avaliação é uma prática racionalmente pensada e definida e pressupõe uma decisão política em favor da participação democrática. O autor expõe os princípios da avaliação e afirma que o primeiro passo é o diagnóstico da situação do aluno, uma forma de o professor conhecer seu aluno, seu potencial e seus erros para então direcionar uma prática que promova a superação do erro. O estudioso propõe que esse erro seja uma fonte de virtude, sendo visto e compreendido de forma dinâmica, possibilitando uma nova conduta em relação ao padrão estabelecido e um caminho para o avanço. Em outro ponto do texto, Luckesi coloca em questão a verificação em oposição à avaliação. E argumenta que a verificação sem a devida utilização dos resultados averiguados classifica os alunos pura e simplesmente em aprovados e reprovados, mas não diz muito sobre a aprendizagem dos mesmos. O autor observa que muitas vezes a média obtida pelos alunos nos testes mascaram uma realidade de deficiências de conhecimentos e habilidades por parte dos alunos, que o “papel” aceita facilmente, isto é, burocraticamente os alunos são aprovados sem saber determinados conteúdos que são essenciais para seu desenvolvimento. Nesse sentido, Luckesi afirma que a escola opera com verificação e não com avaliação da aprendizagem. E nesse capítulo o estudioso discorre sobre o uso da avaliação dizendo que ela é praticada com a atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos alunos, tendo por base seus “aspectos essenciais e como objetivo uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e consequentemente o desenvolvimento do educando” (p. 95). E argumenta que é preciso trabalhar com um padrão mínimo de conduta, ou seja, deve-se estabelecer um mínimo necessário de saber como padrão para analisar os conhecimentos e habilidades dos alunos. A prática da avaliação deve ser desenvolvida com rigor científico e técnico capaz de levar à construção de resultados significativos em prol do desenvolvimento dos alunos. O autor discute em outra parte do texto sobre a natureza ideológica do planejamento, que ele deve guiar a prática educativa consciente e que planejamento e avaliação são aliados na construção de uma escola mais democrática e humana. Planejar significa vislumbrar objetivos a se atingir e desenvolver caminhos para tal e avaliar é uma forma crítica de analisar se estamos atingindo esses objetivos. Por último, Luckesi propõe uma prática docente crítica e construtiva. Nesse ponto, o autor argumenta por uma prática docente interessada, proficiente e prazerosa. Concordo com o autor que o professor deve reunir esses atributos para o desenvolvimento de uma prática docente eficiente e que promova o desenvolvimento do educando, mas minha visão é de que Luckesi coloca nos ombros do professor o peso do mundo. O professor, assim como o aluno, também necessita de apoio para se desenvolver, precisa de condições dignas de trabalho para que tenha eficiência e prazer em sua prática, precisa de valorização social e reconhecimento da sociedade de que seu trabalho é digno e importante para o desenvolvimento do país, de que ele é um profissional e não alguém abnegado, um mártir que tem amor pelo ensino, por isso aceita as condições que lhe são impostas. Acredito que o conhecimento pode ser um caminho para a melhoria do ensino e de práticas avaliativas mais humanas e justas, mas esse conhecimento passa por melhores condições de trabalho e de salário para que o professor possa ter tempo e dinheiro para se formar continuamente.